terça-feira, 13 de janeiro de 2015

MIRANDA

MIRANDA

Não! Não morri!
Mudaram as estações,
Meu coração parou.
Não foi por falta de amor,
Não foi desgosto de viver.
Por mais que não suportasse a dor,
Eu insistir em viver por ela.
Mas eis que chegou a hora,
Não pude resistir
E sem demora
Tive que partir.
De herança deixo minha voz...
Assim serei eternamente
A criança que não conhece a verdade,
E a verdade são só palavras...
Palavras ao vento.
Por enquanto,
Fiquem com os prantos,
Doce acalanto da dor
De quem parte
Deixo minha música,
Deixo minha arte,
Minha poesia de vida,
Minha rima objetiva
E quase proibida.
Porque sou fera,
Sou bicho,
Sou anjo
E sou mulher.
A figura inibida,
Eternizada como diva, dadivosa,
Em versos, rimas e prosa.
Vou-me em forma de rosa,
Na tarde linda que não quer se pôr.
Vou-me como a própria rosa
Que não morre!
Dissolve-se pétala por pétala
E deixa a saudade do aroma...
Que marca pra sempre,

Mas o pra sempre, sempre acaba.

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